os atractivos títulos de dívida portugueses

os bancos a operar em território nacional tinham, em novembro do ano passado, 32.499 milhões de euros de títulos soberanos de Portugal. o valor mais alto de sempre.

a perceção de que a dívida portuguesa estava subvalorizada no mercado e, por outro, da capacidade financeira dada pelas operações de financiamento a três anos do Banco Central Europeu (BCE), permitiram aos bancos ter capital para investirem em títulos soberanos e realizarem mais-valias. nas duas operações de financiamento do BCE (em dezembro e março, à taxa de 1%) os bancos portugueses ficaram, no total, com 40 mil milhões de euros do bilião de euros concedido à banca da zona euro. as maturidades na casa de três, quatro ou cinco anos [comprar dívida pública portuguesa] foi um bom negócio com valorizações de 30 ou 40%.

em setembro, segundo os últimos dados dos principais bancos privados, 16% dos ativos do BPI eram títulos de dívida soberana, os quais ascendiam a 7.462 milhões de euros. destes, mais de 80% era dívida de Portugal (6.073 milhões de euros).

no BCP e no BES a dívida soberana era de cerca de 5% dos ativos em balanço. no entanto, em termos do total de títulos soberanos, os números são ainda mais significativos: 95% do total no banco liderado por Nuno Amado (4.788 milhões de euros) e 98% no banco presidido por Ricardo Salgado (4.204 milhões de euros).

já a Caixa Geral de Depósitos (CGD), segundo a imprensa, tinha no final do primeiro semestre do ano passado 8,1 mil milhões de euros em dívida soberana de Portugal, isto em termos consolidados.

mas não é só o financiamento do BCE que os bancos estão a utilizar para comprar dívida portuguesa. parte importante do capital público que o Estado português tem injetado nos bancos é canalizada para dívida pública. Isto porque, explicou, o facto de os instrumentos de capital convertíveis em ações (as chamadas 'CoCo bonds') serem "onerosos" (com taxas a partir de 8,5%) leva os bancos a utilizarem "esses montantes para comprar dívida pública de longo prazo, cujas 'yields' [rendimentos] elevadas permitem compensar o custo dos CoCos".

depois dos 4.500 milhões de euros injetados no BCP e no BPI em 2012 para os recapitalizar, até final deste mês o Estado vai pôr 1.100 milhões de euros no Banif, onde ficará como acionista. o Estado investiu ainda 1.650 milhões de euros na CGD, neste caso enquanto seu único acionista.

resultado deste círculo vicioso: o Estado financia-se e assuste a uma queda das taxas de juros da dívida pública através dessas compras. os bancos melhoram a sua liquidez, o que lhes permite baixar as taxas de juro agressivas que chegaram a oferecer pelos depósitos a prazo, enquanto o BCE se mantém como uma fonte fundamental de financiamento.


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