"Assim vai a economia portuguesa"


os destaques de informação estatística publicados pelo INE no decurso de agosto proporcionam um bom retrato do recente andamento da economia portuguesa e sublinham alguns desafios. segue-se um sumário apanhado dos indicadores divulgados pela nova presidente do IGCP, Cristina Casalinho. 

"O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2014 expandiu-se 0,8% face ao ano anterior, abrandando relativamente aos três meses precedentes, período em que se registou um acréscimo homólogo de 1,3%. O indicador de atividade económica estabilizou em junho pelo segundo mês consecutivo, apesar da evolução menos negativa nos setores da indústria, construção e serviços.


O abrandamento do produto encontra-se associado a um contributo menos positivo do investimento, muito embora a procura externa líquida tenha registado um andamento menos negativo por via da desaceleração das importações. Com efeito, as exportações de mercadorias diminuíram 0,4% no segundo trimestre face a igual período de 2013 e as importações aumentaram 1,4% nos mesmos meses, trazendo o saldo da balança de bens e serviços de regresso a território negativo. O pior desempenho das exportações deve-se em parte à queda das vendas de combustíveis ao exterior (no segundo trimestre, a redução homóloga das exportações e importações de combustíveis foi de 30,5% e 10,7%, respetivamente). Do lado dos serviços, o turismo avança. Assiste-se igualmente a sinais de abatimento da procura externa. Do lado das importações, o item que registou maior incremento foi a aquisição de automóveis de passageiros (+47,3%). O indicador de investimento estabilizou em junho, num patamar que corresponde ao máximo de seis anos, tendo as compras de máquinas e outros equipamentos observado um aumento homólogo de 7%. O consumo privado revela sinais de robustecimento, beneficiando de algum progresso em termos de rendimento e por via da diminuição da taxa de poupança (tem vindo a reduzir-se do máximo de 13,5% no segundo trimestre de 2013 para 11,9% nos primeiros três meses deste ano).


A taxa de desemprego caiu de 15,1% de janeiro a março para 13,9% nos três meses concluídos em junho. O emprego cresceu 2,0% (relevante contributo da indústria) face ao ano precedente, com destaque para o emprego por conta de outrem (4,4%). Contudo, a população ativa encolheu 0,9%, suavizando o ritmo de quebra.

O índice de custo do trabalho aumentou 3,1% no segundo trimestre do ano (-1,4% no trimestre anterior). Porém, no setor privado, o mesmo índice retraiu-se 1,9%, resultado do acréscimo de custos médios do trabalho de 0,7%, mais que compensado pelo aumento de 2,6% das horas trabalhadas. Por seu turno, a inflação cavou mais terreno negativo, atingindo em Julho -0,9% ou -0,4%, se atentarmos à inflação subjacente.

A economia portuguesa revela sinais de reanimação e tentativa de mudança de paradigma, concretamente mediante maior abertura ao exterior, maior dependência de setores transacionáveis incluindo alguns serviços como o turismo, e ganhos de competitividade evidenciados pelo curso dos custos de trabalho no setor privado e da inflação. O ritmo de revitalização esmorece por mitigação do efeito de correção da recente recessão e desaceleração das economias europeias. E subsistem alguns escolhos perenes: a população nacional entre os 15 e os 29 anos perdeu quase meio milhão de pessoas na última década. A obtenção de diploma de curso superior passou de 8,3% em 2001 para 14,9% em 2011; não obstante, as taxas de abandono escolar precoce situam-se nos 19% e a taxa de desemprego acima dos 35%. Mais: a remuneração do trabalho é inferior à média da economia e o diferencial tem-se agravado. Esta segmentação pode ajudar a explicar o subinvestimento em educação e empurra a economia para padrões de baixa produtividade".

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