Um governo para resistir mais do que para reformar

Sem vice e ministros de Estado, Costa é o patrão do XXI Governo, que tomará posse hoje. São 17 ministros (só uma vez, na nossa história democrática, houve um governo com tantos ministros) e 41 secretários de Estado. Pelo elenco imaginam-se as "negas" não podendo ser uma coincidência este governo ser conhecido 40 anos depois do "25 de Novembro" e que precisamente na passada quinta-feira, PS, BE e PCP decidiram no Parlamento que a sua celebração não tinha qualquer relevância.

Quanto a indignações escolho apenas esta: “Aqueles que não admitem se discuta a legitimidade (política) de Costa são os mesmos que, durante quatro anos, negaram a legitimidade de Passos Coelho. Aqueles que acharam inaceitável que os apoiantes de Passos aparecessem às 13h00 diante da Assembleia no dia da discussão do programa de governo, foram os mesmos que organizaram uma manifestação para as 15h00. Aqueles que censuram o PSD e o CDS pela indisponibilidade para amparar o governo minoritário do PS, são os mesmos que, antes das eleições, anunciaram que nunca votariam um orçamento da “direita”. Já sabíamos que só a esquerda pode governar em Portugal. Agora estamos a descobrir outra coisa: que também só a esquerda pode indignar-se e fazer oposição. Só o PS dispõe da prerrogativa de boicotar um governo, só o PCP tem o direito de marchar nas ruas, só ao BE é dado desfolhar o lado agressivo do dicionário.” (Rui Ramos, no Observador)

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