Antes de mudarmos de assunto...


  • O homem que fala sempre sozinho, Rui Ramos: “o processo, acabe como acabar, não pode resolver todas as questões. Se Sócrates for absolvido dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, vamos convencer-nos de que este é um regime monstruoso, uma falsa democracia, onde um ex-primeiro ministro honrado foi vítima de uma perseguição judicial vilíssima, com motivos facciosos? E se Sócrates for culpado, deveremos concluir que este é um regime não menos monstruoso, uma democracia não menos falsa, onde um conspirador corrupto pôde tomar e manter o poder no Estado, até a crise financeira o derrubar? Precisamente porque qualquer dos cenários é mau, há um debate político a fazer, seja qual for a decisão judicial.”
  • “Fino como um alho!”, de Paulo Tunhas: “Mas tanto a entrevista como, em muitos aspectos, o próprio Sócrates, são coisas pouco importantes. Como a maior parte dos portugueses, suponho, quero é que a justiça faça o seu trabalho e que Sócrates aguarde, nas melhores condições e, na medida das suas possibilidades, sem nos chatear, o trabalho da justiça. O que me preocupa, nesta história, é o “fino como um alho!”. Porque esta apreciação de certos indivíduos diz algo de mau da nossa relação com a justiça.”
  • O poder oculto, de Vasco Pulido Valente, primeiro texto que o autor dedica a Sócrates desde a sua prisão (como faz questão de recordar) e onde sustenta que “A longa narração de Sócrates deixou um certo público comovido. (…) Continua a achar que é uma força: opina sobre o PS, critica a estratégia eleitoral de Costa e não esconde o seu desprezo pela direita. Mas, de quando em quando, num intervalo lúcido, manifesta a suspeita de que a sua “narrativa” (como ele diz) não parece muito convincente. E, nesses momentos, atribui a sua desgraça ao “ódio pessoal” de alguns serventes do Diabo ou a uma força que ele confessa não compreender. Nós compreendemos; e mais do que isso gostávamos muito de mudar de assunto.”
  • Retrato de Sócrates pelo próprio, de João Miguel Tavares: “Para que fique bem claro: na entrevista à TVI, José Sócrates apresentou-se como um ex-primeiro ministro sem rendimentos, que à custa de empréstimos, mãe e amigo gastou 1.000.000 euros para tirar um mestrado em Paris. Sócrates entende que isto não é “vida faustosa”. “Onde é que está o luxo?”, perguntou. Digamos que para quem está alegadamente falido, o seu conceito de luxo é muito original. Contudo, a questão não está no luxo – está no facto de a frase “tinha a expectativa de poder pagar tudo o que devia [a Santos Silva] e rapidamente” ser uma mentira descarada.” 

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